Food halls – O novo ciclo das relações humanas com a gastronomia

A espécie humana se habituou a reunir em volta do fogo desde a sua descoberta. De lá pra cá, quase tudo continua mudando, permanecendo intacta a necessidade de estarmos juntos seja para celebrar, consolar ou colocar o papo em dia.

Os food halls devolveram ao homem moderno a prática de compartilhar estes momentos em um espaço comum, numa mesma mesa e muitas vezes com desconhecidos.

O conceito é simples. Food hall é um ambiente animado que oferece comida e bebida de vários fornecedores para consumir em um espaço compartilhado. Proporciona conveniência, conforto e rapidez com a emoção de navegar por vários tipos de culinárias.

Diferentemente das praças de alimentação, compostas na sua maioria por operações fast-food e localizadas dentro de shoppings, os food halls costumam misturar operações de bares e restaurantes locais, desde o pé limpo preferido da cidade até chefs estrelados, de produtores artesanais a boutiques gourmets, oferecendo uma ampla variedade de serviços e mercadorias de alimentos e bebidas sob o mesmo teto.

Não há limites para a criatividade e as operações variam desde um conjunto modulado de contêineres (BoxPark) até espaços restaurados como uma igreja inglesa (Mercato Mayfair) ou uma estação de trem francesa (La Gare Sud), além de antigas fábricas, mercados e armazéns.

Food halls podem ser temáticos ou inclusivos, independentes ou conectados por exemplo a lojas de departamentos como as depachikas no Japão.

Algumas marcas surfaram na onda da conveniência criando formatos menores para atender a vizinhança. Outras enxergaram o nicho de mercado e se instalaram em hospitais e metrôs.

A tendência atual é conhecida como glocal, desenvolvendo projetos que beneficiem a comunidade de produtores próxima ao food hall, oferecendo aos visitantes insumos frescos e sustentáveis.

Modelos

Os food halls costumam ser divididos em três identidades – mercados, incubadoras e espaços voltados para a comunidade.

Os do tipo mercado têm espaços dedicados à venda de produtos de consumo diversos, as incubadoras procuram fornecedores que entreguem um diferencial para os clientes e food halls voltados para a comunidade integram diversão à experiência gastronômica com atividades de cultura e entretenimento variada e ao vivo, o ano todo e especialmente durante as férias.

Embora a maior parte do food hall seja ocupada por bares e restaurantes, as poucas lojas de produtos como moda e serviços do tipo salão de beleza, somadas à programação de eventos e entretenimento, fornecem uma atmosfera atraente para encorajar os clientes a ficarem sempre por perto.

Algumas dicas para garantir o sucesso

Perto da vista, perto da mente

Como qualquer outra empresa, você precisa garantir um fluxo consistente de clientes. A instalação de food halls em áreas de tráfego intenso pode reduzir os custos de marketing. Observe as rotas que as pessoas costumam fazer, por onde circulam a pé e de carro. Considere o fluxo de turistas regionais e internacionais, a proximidade de complexos de escritórios ou outro local bastante conhecido da cidade. Dessa forma, o food hall estará sempre em destaque no mapa de opções.

Engajamento com a comunidade e o meio ambiente

Os consumidores estão muito interessados em apoiar empresas com produtos frescos e sustentáveis nas proximidades, valorizando o meio ambiente. Oferecer espaço com programação voltada para os interesses da comunidade gera envolvimento e engajamento com os clientes.

Foco no interesse dos consumidores

Um food hall que inclua vários conceitos de gastronomia tem maior potencial para atrair um público amplo. O segredo aqui é montar o mix de operadores que ofereça o equilíbrio perfeito.

Definir o público-alvo ajudará você a descobrir que tipo de fornecedores selecionar. Famílias buscam menus variados em porções maiores. Turistas querem provar iguarias locais que representem a região e o país.

Ampliando a vantagem competitiva

Por mais interessante que seja, os food halls enfrentam a concorrência de outros restaurantes independentes da localidade. Você pode aumentar seu diferencial para atrair mais público, por exemplo:

  • Reservando espaço para atividades gratuitas da comunidade;
  • Incluindo produtores locais de alimentos e bebidas;
  • Incluindo serviços diferenciados e de alto valor agregado para a comunidade.

O conceito do food hall resgata com força e propriedade o que há de mais humano em todos nós, a necessidade de reunir e compartilhar.

Estamos na torcida para ver o país imunizado e humanizado e o consumidor, retornando a frequentar seus locais de preferência.

André Paranhos é consultor da Gouvêa Foodservice 26/10/21 – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/10/26/food-halls-o-novo-ciclo-das-relacoes-humanas-com-a-gastronomia

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