A experiência e a sobrevivência no tempo

Ao longo dos anos muitas histórias e personagens maravilhosos foram criados, e reconhecidos no imaginário mundial. Alguns clássicos da literatura ganharam inúmeras interpretações, suas histórias são reeditadas e adaptadas ao longo da história, sendo traduzidas para vários idiomas e principalmente para o cinema.

Tornando-se uma manifestação cultural de grande valor comercial, a difusão do cinema se torna obrigatória pelo alto custo de produção de um filme. Assim, como objeto industrial reproduzível e destinado às massas, o cinema revolucionou o sistema da arte, da produção à difusão.

No cinema, coincidem as atitudes críticas e de fruição do público. Neste caso, a circunstância decisiva é que em nenhum outro lugar, como no cinema, a reacção maciça do público, constituída pela soma da reacção de cada de um dos indivíduos, é condicionada à partida pela audiência em massa, (BENJAMIN, 1994, p. 15).

Figura 1 – Filme Alice no País das Maravilhas 1951. Fonte: http://filmes.disney.com.br/alice-no-pais-das-maravilhas

 O coelho branco com roupas, que corre segurando um enorme relógio, é o primeiro personagem que a menina chamada Alice encontra. Na sequência, ela cai em uma toca deste coelho, conhece um local fantástico habitado por diversas criaturas igualmente fantásticas. A imagem da versão clássica da Disney, com suas cores fortes, apresenta a personagem Alice, alguns dos personagens marcantes do filme e com destaque ao coelho branco.

Nesta versão de 2010, o coelho branco ganha um cartaz de divulgação do filme somente com sua imagem (figura 2).

Figura 2 – Coelho Branco – Alice no País das Maravilhas 2010. Fonte: http://filmes.disney.com.br/alice-no-pais-das-maravilhas

Ele mantém diversos aspectos da imagem original, ou seja, a imagem do coelho da figura 1 que aparece com a Alice. O coelho da figura 2, também é branco, possui um enorme relógio na mão, usa roupa e o fundo também é azul. Entretanto, é fácil reconhecer que a imagem foi atualizada e descreve um tempo atual, observa-se que o personagem apresenta uma visualização mais realista, pois foi produzido por computação gráfica. 

Na figura 2 aparecem muitos relógios, o fato do coelho sempre reclamar que está atrasado e apressado é peculiar aos dias atuais. Logo, a história se desdobra e transcende os elementos espaciais e temporais, partindo de um contexto mais amplo e remetendo a discussão sobre o comportamento diante do tempo. Assim, o imaginário coletivo repercute na imagem de maneira particular.

As novas tecnologias do mundo digital conduzem a uma facilidade na reprodução, e procuram sempre mobilizar as massas. E, as imagens no cinema buscam na experiência e no imaginário formas de recepção.

Conforme Didi-Huberman (2012, p. 208) “assim como não há forma sem formação, não há imagem sem imaginação”. “Nas aventuras de Alice no País das Maravilhas, duas são as características mais notáveis: a presença do maravilhoso e, principalmente, do nonsense.” (CARROLL, 2000, p. 11).

Referências:

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: _____. Magia e técnica, arte e política. (Obras Escolhidas vol. 1). São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 165-196.

CARROLL, Lewis. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

DIDI-HUBERMAN. Quando as imagens tocam o real. PÓS: Revista do Programa do Pós-Graduação em Artes da escola de Belas Artes da UFMG, vol.2, n.4, nov. 2012, p. 204-219. Texto disponível em: <http://www.eba.ufmg.br/revistapos/index.php/pos/article/view/60/62&gt;


[1] O livro As Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865), de Lewis Carroll, teve sua primeira adaptação ainda da época do cinema mudo, em 1903; depois de algumas outras versões, a popularização definitiva ocorre em 1951 quando As Aventuras de Alice no País das Maravilhas foi transformado em um desenho por Walt Disney.

[2] No filme de Tin Burton, a história, antes protagonizada por uma menina, agora tem como heroína uma jovem de 19 anos às vésperas do casamento, Burton mistura personagens do livro Alice no País das Maravilhas e do Alice Através do Espelho (também de Caroll, 1871).

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