Gerenciamento do tempo

Esta semana será dedicada aos estudos de consumo e tempo.

A dica de leitura de hoje é o artigo “Gerenciamento do Tempo na Era da Técnica: Reflexões à Luz do Pensamento Heideggeriano” escrito por Janete Borges e Roberto de Sá, publicado em Phenomenology, Humanities and Sciences – Fenomenologia, Humanidades e Ciências, v. 21 n.1, 2020. 204p

Os autores citam que uma das mais expressivas enunciações sobre a sutileza do paradoxo que envolve a discussão e a compreensão do tempo no contexto da vida humana é citada por Santo Agostinho: “Haverá noção mais familiar e mais conhecida usada em nossas conversações? Quando falamos dele, certamente compreendemos o que dizemos; o mesmo acontece quando ouvimos alguém falar do tempo. Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei” (Agostinho, 2015, p.118 apud Borges e Sá, 2020, p. 189).

Outro ponto que merece destaque neste artigo segundo BORGES E SÁ (2020, p. 190):

De tal feita, a relação do homem com o tempo, na cotidianidade mediana, afigura-se incongruente e insólita: A cada vez que sobra ou se tem tempo livre, procura-se ocupar-se de algo com a finalidade de “matá-lo” ou “passá-lo”. Parece-se estar, sugestiva e curiosamente, diante da insuportabilidade de “possuir” algo a partir do qual e com o qual nada se possa fazer. O fenômeno da ocupação serviria supostamente, neste modo de relação com a temporalidade, como forma de preencher, gastar e ou eliminar o tempo – o mesmo que, de outra feita, se quer poupar, com o intuito de se fazer com ele e ou produzir nele, “algo”. Uma descrição que soa, minimamente, tautológica e de fundamento contraproducente, contraditório ou paradoxal.
Quanto a isso, o pensador interroga: “De que maneira nos evadiremos do tédio, no qual nós mesmos dizemos que o tempo se torna longo para nós? […] estarmos todo o tempo, consciente ou inconscientemente, empenhados em passar o tempo, de acolhermos com simpatia as ocupações mais importantes e essenciais, mesmo que somente para que elas preencham o nosso tempo. Quem negará isto?” (Heidegger, 1929/2003, p.95).

E, por fim, um trecho no qual os autores falam do marketing:

“O marketing, parceiro deste frenesi, habitualmente faz uso de figuras caricatas: relógios que criam asas e saem voando, ampulhetas cuja areia escoa-se rapidamente, deixando atrás de si pessoas com ares de desespero ou desalento; entre outros. Apelativamente, arrematam tais cenas com slogans que dizem respeito a interrogações que de fato fazemos a nós mesmos, imersos que estamos nesta espiral de exigências e demandas cotidianas” (BORGES E SÁ, 2020, p. 193).


Agostinho, S (2015) Confissões. Recuperado em 03.03.2015.Disponível em: http://www.monergismo.com/santo-agostinho/confissoes/

Heidegger, M. (2003). Os Conceitos Fundamentais da Metafísica. Mundo, Finitude, Solidão. Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1929)

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