A linguagem e o conhecimento na vida quotidiana

Verdadeiras intenções: “A realidade da vida quotidiana não é apenas preenchida por objectivações; cia só é possível graças a elas. Estou sempre rodeado por objetos que “proclamam” as intenções subjectivas dos meus semelhantes, embora possa às vezes ter dificuldade em saber ao certo o que um objecto particular está a ” proclamar”, em especial se foi produzido por pessoas que não conheço bem, ou até nunca conheci em situação de frente a frente”, p. 46.

Observar sinais e sistemas de sinais: “Os sinais agrupam-se num ceno número de sistemas. Assim, há sistemas de sinais gesticulatórios, de movimentos corporais padronizados, de vários conjuntos de artefactos materiais, etc. Os sinais e os sistemas de sinais são objectivações. no sentido de serem de modo objectivo acessíveis para além da expressão de intenções subjectivas “aqui e agora”, p. 47.

Observar a linguagem cotidiana: “A vida do dia a dia é sobretudo vida com a linguagem e por meio da linguagem que partilho com os meus semelhantes. A compreensão da linguagem é, por isso, essencial para a compreensão da realidade quotidiana”, p. 48.

Ainda sobre observar a linguagem cotidiana: “A linguagem também tipifica as experiências, permitindo-me agrupá-las em categorias amplas, em termos das quais fazem sentido não apenas para mim mas também para os meus semelhantes”, p. 50.

“Devido a sua capacidade de transcender o “aqui e agora”, a linguagem faz a ponte entre diferentes zonas da realidade da vida quotidiana e integra-as num todo significativo. As transcendências têm dimensões espaciais, temporais e sociais. Por meio da linguagem posso transcender o hiato entre a minha área de manipulação e a de outrem, posso sincronizar a minha sequência temporal biográfica com a dele, e posso conversar com ele a respeito de indivíduos e colectividades com os quais não estamos, neste momento, com interacção frontal”, p. 50.

Patrimônio social – alicerce do conhecimento: “O património social de conhecimentos inclui o conhecimento da minha situação e dos seus limites. […] A participação no património social do conhecimento permite assim o “posicionamento” dos indivíduos na sociedade e o seu adequado ‘tratamento’.”, p. 53.

“O património social do conhecimento fornece-me, além disso, os esquemas tipiflcadores exigidos para as principais rotinas da vida quotidiana, não só as tipificações dos outros, já discutidas antes, mas também tipificações de toda a espécie de acontecimentos e experiências, tanto sociais como naturais”, p. 54.

“O conhecimento do modo como é distribuído o património disponível de conhecimentos, pelo menos nas suas linhas gerais, é um importante elemento desse próprio património”, p. 57.

LUCKMANN, Thomas e BERGER, Peter. A construção social da realidade. Lisboa: Dinalivro. 2004.

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