A Realidade da Vida Quotidiana

Fundamentos do conhecimento na vida quotidiana: “Antes, portanto, de empreendermos a nossa tarefa principal, devemos tentar esclarecer os fundamentos do conhecimento na vida quotidiana, a saber: as objectivações dos processos e significados subjectivos, sobre os quais é construído o mundo intersubjectivo do senso comum”, p. 32.

Ter consciência das múltiplas realidades: “Dito de outro modo, tenho consciência do mundo como consistindo de múltiplas realidades. A medida que me desloco de uma realidade para outra, experimento a transição como uma espécie de choque”, p. 33.

Observar o dia-a-dia, observar o cotidiano para aprender e apreender o objeto: “Vivo a vida quotidiana no estado de total vigília. Este estado de vigília total, do existir na realidade da vida quotidiana e de a apreender, é por mim considerado normal e evidente, isto é, constitui a minha atitude natural”, p. 33.

Observar o vocabulário e a linguagem cotidiana do objeto: “Deste modo, a linguagem delimita as coordenadas da minha vida na sociedade, e enche essa vida de objectos dotados de significação”, p. 34.

Sempre observar as presenças imediatas e que não estão presentes: “A realidade da vida diária, porém, não se esgota nessas presenças imediatas, mas abarca fenómenos que não estão presentes ‘aqui e agora’. Isto significa que experimento a vida quotidiana em diferentes graus de proximidade e de distância, espacial e temporal”, p. 34.

O mundo é “comum”, mas cada pesquisador tem seu projeto (seu enfoque) x Senso comum: “Sei também, é evidente, que os outros têm uma perspectiva deste mundo comum que não é idêntica à minha. O meu “aqui” é o “lá” deles. O meu “agora” não se sobrepõe por completo ao deles. Os meus projectos diferem dos deles, com os quais podem mesmo entrarem conflito. De qualquer modo, sei que vivo com eles num mundo comum”, p. 35

Tempo: “Mais importante para o nosso propósito presente é a estrutura temporal da vida quotidiana. A temporalidade é uma propriedade intrínseca da consciência. A corrente de consciência é sempre ordenada no tempo. E possível estabelecer diferenças entre níveis distintos desta temporalidade, uma vez que nos está acessível de modo intra-subjectivo. Todo o indivíduo tem consciência de um fluxo interior do tempo, que por sua vez assenta nos ritmos fisiológicos do organismo, embora não se identifique com estes”, p. 38.

Tempo: “O mundo da vida do dia a dia tem o seu próprio padrão de tempo, que fica acessível em termos intersubjectivos. O tempo-padrão pode ser compreendido como a intersecção entre o tempo cósmico e o seu calendário estabelecido pela sociedade, baseado nas sequencias temporais da natureza e no tempo interior, com as suas diferenciações atrás mencionadas. Nunca poderá haver completa simultaneidade entre estes diversos níveis de temporalidade, conforme nos indica com clareza a experiência do esperar”, p. 38.

LUCKMANN, Thomas e BERGER, Peter. A construção social da realidade. Lisboa: Dinalivro. 2004. Leitura: Capitulo I. Os alicerces do conhecimento da vida cotidiana.

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