O que a propaganda espera para o mobile em 2016

Tente se lembrar de momentos do seu dia em que seu smartphone não esteja presente. Provavelmente eles existem, mas é igualmente provável que sejam raros. E a tendência, para a alegria dos entusiastas da tecnologia, é que se tornem cada vez mais escassos.

A presença de dispositivos móveis é cada vez mais forte em nosso cotidiano, fazendo como esses aparelhos sejam praticamente uma extensão de nossos corpos. Para confirmar a veracidade dessa afirmação, basta fazer um simples exercício: observe ao seu redor, as pessoas nas ruas, no transporte coletivo e até nos particulares (apesar de todo o sabido perigo que o uso de celulares ao volante pode significar). Cabeças curvadas, olhos atentos e dedos ágeis voltados para um pequeno (ou nem tanto) objeto que hoje corresponde, por exemplo, a maior fatia das buscas na maior plataforma de pesquisas do mundo, o Google, ultrapassando o desktop e atingindo a marca de 1,4 bilhões de usuários no final do ano passado.

Para se ter uma ideia do crescimento da importância do mobile no mercado brasileiro nos últimos abis, vale atentar para os números de um estudo realizado pelo eMarketer no segundo semestre de 2015. Segundo o levantamento, houve um crescimento estimado em 120% dos investimentos em publicidade para dispositivos móveis no Brasil no ano passado, com uma cifra que ultrapassou a casa dos US$ 500 milhões. Para este ano, a previsão da plataforma é que o investimento global em publicidade mobile seja de US$ 100 bilhões, o que representa mais de 50% do total que é investido em campanhas digitais.

Olhando para este cenário, em que os dispositivos móveis deixam de ser a “segunda tela” para ocupar lugar de destaque na vida do consumidor, é fácil deduzir que 2016 tem tudo para ser “o ano do mobile”. Não é necessário ser nenhum expert no assunto para entender sua dimensão, mas como não há nada melhor que ouvir quem lida com o fenômeno na prática, perguntamos a três executivos de agências o que o mercado publicitário pode esperar para o mobile este ano. Confira o que eles disseram sobre o assunto:

Tiago Lucci, Diretor Criativo da SapientNitro Brazil

“É tentador para as marcas ocupar um espaço de atenção na tela dos consumidores, mas se tornou muito mais difícil alcançar a permissão deles para isso. Os smartphones têm uma característica emocional completamente diferente dos outros devices: eles são íntimos de seus proprietários. Ocupam seus bolsos, suas bolsas. Dormem na mesma cama. Vão junto para o banheiro. Sabem onde você vai e onde está agora. Você o segura com as duas mãos e o traz para perto do rosto. Muitas vezes, até esconde a tela dos olhares alheios.

É por isso que receber uma publicidade no celular se torna muito mais invasivo do que em qualquer outra tela ou papel. Ele faz parte da sua privacidade. E ninguém gosta de ter a privacidade violada. O celular, mais do que qualquer outra mídia, convida a publicidade a fazer algo que ela não está acostumada a fazer: ser interessante para as pessoas. Da mesma forma que você não gosta de pessoas chatas na sua lista do WhatsApp, também não vai querer marcas chatas ocupando a tela do seu smartphone.

Existem muitas formas de ser interessante para o consumidor, mas vou ressaltar apenas dois caminhos pelos quais as marcas podem oferecer mais relevância para as pessoas em 2016: por atividade e por localização. Pensar em formas criativas de interagir com as pessoas durante uma atividade que elas praticam no celular e entregar algum conteúdo relevante considerando o momento e o local onde a pessoa se encontra.”

Fabio Simões,  Diretor Executivo de Criaçāo da FCB Brasil

“A penetração dos smartphones na classe C e a transformação do celular como principal porta de entrada para o mundo digital vai ter um impacto grande em como você comunica sua marca. Isto acontece não só por ser a plataforma de mídia que mais cresce, mas pelo momento de crise que pede uma comunicação que tenha uma ligação mais direta com a compra. Entre as inúmeras inovações que vão surgir, estas para mim são as que vão influenciar o nosso dia a dia: vídeo vertical, redes sociais viram redes de conteúdo, Instagram Ads e 360 & VR.

Mexa-se para não ficar irrelevante. O celular é o único item que nos acompanha da manhã a noite, do trabalho as férias, do banheiro ao chuveiro, vestidos ou pelados.”

Kaue Lara Cury, Diretor de Integração da AlmapBBDO

“Desde alguns anos escutamos falar que é a vez do mobile, que agora sim a publicidade mobile iria voar e tudo mais. O que mais me afligia nesse discurso é que o usuário de mobile ainda não estava conectado e maduro o suficiente para que esse boom acontecesse, e o reflexo desse despreparo foi sentido nas expectativas não alcançadas para o meio.

Ainda existem muitos pontos a serem evoluídos e trabalhados. O número de usuários é alto, mas o hábito bem diferente comparado com o Desktop, principalmente quando falamos de conversão. Muita gente pesquisa pelo celular, pouca gente efetiva a compra. Como sempre defendemos aqui na Almap, entender a função de cada meio e incluí-lo da melhor maneira na jornada de cada um dos nossos targets é a chave para tornar o meio relevante, não apenas uma promessa. Outro ponto é conseguir analisar a audiência do meio. Tem Mobile Site, Tablet Site, APP para iOS, para Android, para Windows. Enfim, ainda teremos um tempo navegando sem muito saber o norte real dos números que alcançarmos, mas os parceiros de pesquisa já estão se mexendo para melhorar isso também.”

Por Mariana Ramos – 

http://www.adnews.com.br/publicidade/o-que-a-propaganda-espera-para-o-mobile-em-2016

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